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Assunto de família

E arte chora em uma madrugada de abril de 2021.



Fig. 1: Cláudio Valério Teixeira em seu ateliê em Niterói.


Em uma madrugada de abril minha família se torna menor. Dos meus seis tios, ainda tenho dois por aqui, os outros deixaram saudades. Assim, foi em uma terça-feira (27/04), o meu padrinho, professor, pintor, desenhista e crítico de arte Cláudio Valério Teixeira deu sua última pincelada. Debilitado por um episódio anterior de COVID-19 e por um câncer, fez sua passagem em uma emergência do Complexo Hospitalar de Niterói (CNH), exatamente na região metropolitana do Rio de Janeiro.


Ele teve sua iniciação artística no ateliê de meu avó, o pintor Oswaldo Teixeira. Em 1969, cursou a Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ, onde se formou em pintura. Alguns anos mais tarde, por volta de 1979, viajou para os Estados Unidos para aperfeiçoar o seu trabalho. Recentemente obteve o título de notório saber, para em seguida ser aprovado em um concurso público de professor na EBA UFRJ. Já para assumir sua cadeira foram onze anos de batalha.


Sua carreira pública também contemplou uma brilhante passagem como secretário de Cultura de Niterói, bem como membro do Comitê Brasileiro e Internacional de Críticos de Arte.


Como restaurador foi brilhante e deixou um legado enorme, donde diversas edificações tombadas foram restauradas sob sua coordenação: Teatro Municipal João Caetano, Solar do Jambeiro, Palácio Arariboia, Igreja de São Lourenço, Capela de São Pedro (no Maruí).


Cláudio, junto de uma equipe de 18 profissionais, recuperou os painéis que compõem “Guerra e Paz”, obra magistral de Cândido Portinari presente na ONU, em Nova York.


Seu ateliê no bairro de São Francisco, em Niterói, teve uma parceria com meu pai (Christiano Ariel Teixeira - falecido também de câncer). Tal espaço era procurado nacionalmente e internacionalmente pela qualidade com que tratavam as obras de arte. Desenvolveram várias técnicas de restauro, formaram muitos profissionais por lá tanto como artistas plásticos. Em geral, era comum após o expediente que eles se reunissem com outros artistas plásticos para desenharem e pintarem. Decerto, era quase uma guilda.


Foi casado com Tânia Teixeira, também exímia restauradora, e deixa os filhos Vitor Henrique, Pedro Rubens, Rafael Frederico e netos. Os dois primeiros citados aqui seguem com o ateliê. Já Rafael é músico e parece ter o dom da palavra.


Nos últimos meses estivemos mais perto, seja por conta da banca de mestrado do meu aluno Renan Cardoso (em que ele colaborou bem antes da defesa) ou pelo livro que escrevi e organizei com o colega Leonardo Marques. Nele Claudio escreveu um capítulo, dando conta da sua preocupação com os museus. O tempo pode dar sentido ao nossos feitos, agora o título dessa última publicação em que ele esteve presente nos leva para posteridade. "Museus de interfaces: a fênix das cinzas até os bits".


Obrigado por ter sido tão amigo do seu irmão, meu pai, sinto falta de vocês.


Exposições Individuais

1976 - Teresina PI - Individual, na Galeria do Teatro 4 de Setembro 1978 - Rio de Janeiro RJ - Individual, na Galeria do Ibeu 1978 - Rio de Janeiro RJ - Desenhos, na Galeria Rodrigo Mello Franco de Andrade 1978 - Niterói RJ - Desenhos, na Galeria do Centro Cultural Paschoal Carlos Magno 1979 - Rio de Janeiro RJ - O Nu, na Tempo Galeria de Arte 1982 - Rio de Janeiro RJ - Pinturas, na Acervo Galeria de Arte 1988 - Fortaleza CE - Pinturas e Desenhos, na Galeria Multiarte 1994 - Rio de Janeiro RJ - Cláudio Valério Teixeira: Pinturas La Califórnia e um Tríptico, no MNBA 1996 - Niterói RJ - Individual, no Museu Antônio Parreiras


Exposições Coletivas

1969 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes 1970 - Rio de Janeiro RJ - 75º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA 1971 - Rio de Janeiro RJ - Salão da Eletrobrás, no MAM/RJ 1971 - São Paulo SP - 36º Salão Paulista de Belas Artes 1973 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Mostra de Artes Visuais 1973 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes 1974 - Rio de Janeiro RJ - 2º Mostra de Artes Visuais - Prêmio Alberto da Veiga Guignard 1974 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional 74, na Fundação Bienal 1974 - São Paulo SP - Bienal Nacional de São Paulo 1975 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva Norte Arte, no Museu Universitário Augusto Mota 1976 - Goiás - 3º Concurso Nacional de Artes Plásticas de Goiás - prêmio aquisição 1976 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Arte Moderna 1978 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ 1978 - Rio de Janeiro RJ - Circuito Universitário de Artes Plásticas, na PUC/RJ e UGF 1978 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Carioca de Arte, na Funarte. Galeria Rodrigo Mello Franco de Andrade 1979 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ 1981 - Resende RJ - Artistas do Rio de Janeiro, no MAM/Resende 1981 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ 1981 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Carnaval: imagens e reflexões, na Acervo Galeria de Arte 1982 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Futebol, no MAM/RJ 1983 - Niterói RJ - Arte e Violência, na Galeria de Arte da UFF 1984 - Madrid (Espanha) - Salón Cristóbal Colón, no Ayuntamiento de Madrid 1984 - Rio de Janeiro - Arte Brasileira do Século XX: Galeria Eliseu Visconti: Pinturas e Esculturas, no MNBA 1985 - Niterói RJ - D'Aprés, na Galeria de Arte UFF 1990 - Rio de Janeiro RJ - Cartas a Vicent, no MNBA 1991 - Fortaleza CE - Cartas a Vicent, na Galeria Multiarte 2001 - Rio de Janeiro RJ - Aquarela Brasileira, no Centro Cultural Light 2002 - Niterói RJ - Arte Brasileira sobre Papel: séculos XIX e XX, no Solar do Jambeiro 2002 - Niterói RJ - Niterói Arte Hoje, no MAC/Niterói 2002 - Rio de Janeiro RJ - Niterói Arte Hoje, no Centro Cultural Candido Mendes

2021- Rio de Janeiro RJ - Aquarelas da Quarentena, Galeria Evandro Carneiro Arte


Fonte: Itaú Cultural com complemento da família

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